Wednesday, January 03, 2007

Objecção de Consciência

Este oficial do exército americano recusou-se a ir para o Iraque e explica porquê nesta nesta entrevista. Não a li toda de um ponta à outra, mas várias respostas soltas levam-me a pensar que esta é uma boa entrevista para compreendermos melhor a visão de muitos soldados americanos sobre a guerra no Iraque, a Administração Bush e a reacção da sociedade americana a ambos.

Já agora, destaco a seguinte frase, porque é um soldado de carreira que a diz. Para mim, espelha bem a decadência moral e ideológica da postura actual dos Estados Unidos face à utilização das suas forças armadas:

“You know I think that John Murtha came out a few months ago in an interview and he was asked if, with all his experience, in Korea, and Vietnam, volunteering for those wars -- he was asked if he would join the military today. And he said absolutely not. And I think that with the knowledge that I have now, I agree. I would not join the military because I would be forced into a position where I would be ordered to do something that is wrong. It is illegal and immoral. And I would be put into a situation as a soldier to be abused and misused by those in power.”

É evidente que nenhum Estado age por altruísmo. Várias leituras, pensamentos e diálogos (especialmente com o meu amigo e futuro especialista de Relações Internacionais, canetas) levaram-me a compreender que os Estados agem por interesse próprio e defesa dos seus cidadãos face aos cidadãos de outros Estados. Altruísmo e solidariedade inter-estadual (no sentido: um Estado face a outro Estado) são conceitos praticamente inexistentes. Pensar, por exemplo, que há algum interesse americano em fazer o povo iraquiano feliz com a democracia, é um erro quase infantil. Os EUA querem democracia no Iraque por muitas razões de segurança e ordem internacional em seu próprio benefício. Ponto final. É o mesmo que o apoio português ao desenvolvimento dos PALOP: serve para ajudar os empresários portugueses a encontrarem novas oportunidades em mercados em expansão. Não estou com isto a assumir uma posição crítica, pois a verdade é que se o Estado não protege os cidadãos, ninguém protege. Porém, chamo a atenção para esse debate que todo o cidadão de qualquer estado se coloca: Eu ou o outro?

Por exemplo – e mais uma vez pegando num texto recomendado por canetas, se bem que enfocado noutro exemplo – quando o Governo português recebe o primeiro-ministro chinês e uma onda de protestos de activistas a favor dos direitos humanos se levanta, somos tentados a criticar Portugal por pactuar com o primeiro-ministro de um país que não os respeita. Mas depois percebemos que se não tivermos boas relações comerciais com a China, somos nós próprios – cidadãos portugueses – que sairemos prejudicados. E então percebemos: face a uma escolha, eu, português, escolho primeiro o melhor para mim e só depois o melhor para os chineses. No limite: Eu, Luís, escolho o melhor para mim e depois para o resto das pessoas. Na génese: se só poder sobreviver um, sobrevivo eu.

É esse o papel do Estado, e é essa a justificação para as intervenções americanas pelo Mundo: custam vidas alheias, mas protegem vidas americanas.

Certo ou errado, cada um julgue por si. A entrevista do Lt. Watada ajuda.

4 comments:

Xiribi said...

So coloquei o post neste comment para nao passar tao despercebido se o pusesse no video dos yyy's.

O video é feito por um amador mas acho que é melhor musico que qualquer um desse grupo.

PS-a musica é boa e vejam até ao fim.

http://www.youtube.com/watch?v=Ddn4MGaS3N4

El-Gee said...

é bom, mas até a Karen O é mais gira !

Anonymous said...

aceitei a tua sugestão de comentar aqui no blogue. Concordo com quase tudo o que disseste, só não acho que a questão seja só a segurança nacional dos E.U.A., a menos que isso inclua a sua economia.
Quanto ao cinismo das relações internacionais, não podia concordar mais, basta dizer que quando foi feito o tribunal internacional para julgar crimes de guerra, os E.U.A. pôs uma clausula que tão simplesmente excluia qualquer americano...

jubatty said...

Sabes que discordo bastante de ti.

Concordo que cada estado age em defesa dos seus interesses.

Mas num trabalho que fiz para a faculdade para uma cadeira de ética, um autor dizia que actos éticos são individuais, feitos individualmente pelo conjunto de pessoas numa organização e não por esta em si.E eu concordo com isso.Creio que pode parecer hipócrita, mas a procura do nosso bem estar sem pensar no dos outros e perigoso....até demais.

ps-não me lembro do nome do autor e não me darei ao trabalho de procurar mas provavelmente haverá outro qualquer que discorde, não e um argumento de autoridade apenas explicativo do meu ponto de vista