Friday, April 27, 2007

Lembrei-me agora de uma história

É raro dar dinheiro na rua a arrumadores, drogados, alcoólicos e tocadores de flauta sem banho e rodeados de cães. Aliás, não é raro, é raríssimo. O máximo que dou é uma moeda a um arrumador quando estou num bairro mais manhoso, a pessoas velhinhas pobres, a mutilados e a cantores de metro com jeito. (Também não dou nada aos homens-estátua.)

Noutro dia estava no Chiado com dois amigos quando passa por nós um daqueles rapazes novos e magrinhos, vestidos de preto coçado e sem duche há dois anos, de boné esticado, que suplica, do fundo do seu parasitismo desokupado,

“Entre os três, não se arranja aí uma moedinha?”,

ao que eu continuei a minha marcha indiferente e um dos meus amigos responde, com o ar bem natural de quem – como ele – vive na dimensão paralela dos que se tão a cagar,

“Só cheques e cartões de crédito, filhos da puta!”

e continuámos a nossa caminhada.

Nunca desejei tanto ter sido eu a dizer alguma coisa e ainda hoje, semanas depois, invejo o meu amigo pelo prazer que lhe deve ter dado dizer aquilo àquele calão sem vergonha.

30 comments:

jet said...

sem duvida que viver às custas dos outros é muito bom, inclusive já ouvi historias,de que alguns conseguiam ganhar fortunas por mes..
Eu também não nada a ninguém, há uma segurança social, um centro de emprego, que vão trabalhar que só lhes faz bem. detesto essa gente, e quando uma pessoa não dá, ainda têm a lata de ser mal educados. É espetar três ou quatro socos no focinho a ver se voltam a responder, mas.. confesso que essa dos cheques e cartões é altamente :D

SAM said...

"parasitismo" não gosto...não invejo o teu amigo em nada! >Eu face á pobreza ( seja ela qual for ) não consigo respondes com essa alarvice...e eu até sou bastante alarve! já estive vestido de roupa coçada, sem duche ( não de 2 anos mas sem dúvida de 2 semana e mais ), e claro que temos sempre por acabar por pedir a estranho não que tenham compaixão mas que simplesmente deitem fora aquilo que no fundo não faz falta nenhuma...50 centimetros acabam sempre gastos numa puta de uma bica ( um pouco de água quente com café ), ou noutra trêta qualquer...50 centimetros hoje não dá para nada, so para a caridade mesmo!
lembra-te Gee que seja em que circunstancia for ninguem gosta de pedir e é sempre em ultimo recurso...já é dificil pedir...imagina ainda ser humilhado!

bom fim de semana!

O melhor post de chocolate do mundo! said...

Sam, o "último recurso" torna-se bastante discutível quando se pede dinheiro para droga ou álcool. E sim, 50 cêntimos fazem-me muito mais falta para comprar rebuçados que para ajudar o vício de um drogado ou de um alcoólico.

Há pessoas com as quais me emociono. Há vidas que me custam, que me apertam o estômago - pessoas velhinhas, frágeis, mutiladas ou doentes, vítimas de uma conjuntura social ou de um acaso infeliz. São só essas que ajudo.

canetas said...

El-gee,

isto faz-me lembrar uma bela discussão que tivemos em Roma sobre um gajo que andava a pedir na rua e que depois vimos no supermercado ao pé de tua casa a comprar aqueles tomatinhos cocktail bem carotes.

Essa foi das grandes discussões de que há memória.

E isto está mais ou menos relacionado com a droga. Há semelhanças no mínimo. A partir do momento em que lhe deste o dinheiro o dinheiro passa a ser dele. Se ele quiser gastar em droga ou em fios d'ovos é com ele.

Se ele quiser comprar leite com bifidus activos em vez de leite Lidl é com ele.

Ou não?

Quanto a esses gajos que andam por aí á solta eu, por acaso, acho-lhes alguma piada e tenho-lhes alguma admiração. Gostava que eles tomassem banho claro.

Mas por outro lado nunca os vi fazerem mal a ninguém. Não me parecem ser mal intencionados.

Além disso só te pedem. Podes apenas dizer que não. Alguns são mal educados claro, mas a maioria das pessoas que ganham dinheiro e que não pedem também são mal educadas quando estão dentro de um carro no trânsito.

às vezes Ele, às vezes Ela said...

A parasitas sociais que em nada contribuem para o bem comum, nada dou. Não vejo é necessidade de os maltratar verbalmente...

Ele

r said...

Sinceramente achei a história genial. Se algum dia tivesse eu uma saída destas dava-me por contente para o resto da vida aquando de arranjar bocas para mandar (sim, tenho certa dificuldade em ficar calada).
Lembro-me agora eu de um passeio na margem do Thames. Estranhamente estava um sol digo de uma Lisboa em Maio e lá ia eu, alegre por me encontrar ali e me sentir uma estranha, lado a lado com todo um conjunto de 'artistas' de rua, vendedores de bugigangas e pedintes.
Não tendo carro e sendo bastante recente a minha passagem constante por transportes públicos e as minhas vadiagens pela cidade e súburbios, mesmo sendo uma pessoa que sempre deu uma moedita ou outra quando 'calhava', nunca fui forreta mas também nunca me havia deparado com a pergunta: Dar ou não dar (heis a questão)?
Por um lado é a tal coisa: mais uma bica(nem gosto de café) menos uns rebuçados, qual a diferença? Se calhar esses 50 cents fazem mais falta a quem não os tem do que propriamente àqueles que irão, o mais provável, gastá-los só para 'não os ter na carteira'. Por outro faz-me confusão sentir-me contribuinte de um mal da nossa sociedade: a parasitagem. Nunca sei o que vão fazer com o dinheiro, e só essa incerteza já me deixa de pé atrás. Não me consigo, de todo, deixar confiar no princípio do 'já deste o dinheiro, já não é teu, já não é da tua responsabilidade'. Não consigo.
Enfim, lá ia eu caminhando como quem nada quer, chama mágico daqui para fazer uma demonstração ao público de como um cigarro pode não queimar a MINHA camisola, chama malabarista dali pondo um rádio em ALTOS BERROS pensando que assim sim, 'vou atrair mais malta jovem'. Dei então por mim a criar, feliz, uma cadeia hierárquica dos 'desindinheirados' (perdoem-me este devaneio à FP) da vida. Era mais ou menos assim:
DAR-maus músicos tristes
bons músicos
vendedores de qualquer coisa
Artistas como mágicos, malabaristas, contorcionistas e por aí adiante.
Pessoas visivelmente incapazes (perdoem o termo. entenda-se: aleijados, estropiados etc.)
Velhinhos muito velinhos que até saibam ter uma conversa se calhar.
NÃO DAR- Senhores de meia idade com visível mau aspecto (okay, com bom aspecto então não dar nunca)
Arrumadores de carro (esta por principio, a não ser que o carro esteja estacionado na galinheira ou no casal ventoso não dou)
Criancinhas(é o mesmo que dar aos tais adultos, acreditem. Só fica no ar é aquela suspeita do que acontecerá ao pobre miúdo/a ao voltar para casa sem uns trocos. Podemos sempre ligar para uma qualquer entidade que tome caso do sucedido)
Mães com bebés ao colo

Por ordem.

É claro que fui gozada pelos meus amigos quando lhes contei desta minha 'tabela de preços'.
E claro que cheguei à pousada sem dinheiro quase nenhum. É o que acontece quando uns cafézinhos e uns rebuçados não fazem falta.

Docinho said...

Desta não estava mesmo nada à espera... Não sei quem esteve pior. O teu amigo mostra que é parvo com uma resposta dessas e tu vais atrás invejando-o! Que tristeza, sinceramente. Já vos imagino num jantar de amigos a dar baile aos indianos que vendem flores.

Adorava que o pessoal que vai editar o teu livro o cancelasse depois de ler isto...

El-Gee said...

ver semelhança entre um tipo de 30 anos com saude a pedinchar na rua e um indiano de meia-idade que foge à miseria e se separa da familia para vir vender flores para a Europa, ou é cretinice ou é má vontade.

(já agora, o livro sai dentro de dois meses e a tua cara quando o vires na livraria vai-me ser totalmente indiferente.)

ze maria said...

eu acho que um gajo cujo nick é docinho deveria ver a sua liberdade de expressao limitada, and u know what's best, sweety?it's that I ain't writing no book, therefore I can trash u as much both I want and u deserve

astuto said...

Deves ter orgulho no teu amigo. Afinal, conseguiu ser superior, intelectualmente, perante um miserável. Se fosse um senhor engravatado, se calhar, curvava-se. É assim, há que gozar com os que estão abaixo de nós porque chegando ao trabalho somos nós que levamos gozo do superior, não é? Eu também não dou trocos a preguiçosos, mas não me acho no direito de os julgar nem maltratar.

Desculpa-me a sinceridade mas, a tua opinião sobre os "parasitas", é um lugar comum, muito superficial... Ninguém é miserável porque sim, assim como, nenhuma prostituta gosta de levar nele...

Mariana said...

Na Pascoa fiz uma tour vá para fora cá dentro com a famelga, passando por Guimaraes, Braga e acabando em Coimbra...
'Tavamos nós em Braga, na parte velha da cidade, a ver montras(porque para as mulheres, mudar de cidade, mesmo que se esteja perante as mesmas lojas que há aqui em lisboa, tudo tem mais encanto e a roupa até nos parece outra!) é um excitamento!
Como é habitual, o meu pai e o meu irmão optam por se sentar no primeiro banco e "bufar" a tipica frase: "vá, façam as vossas voltas que nós ficamos aqui". Estavamos a fazer a separação homens ora um lado e mulheres para o outro e aparece um homem de meia idade na sua podridão alcoólica, de quem já nem tenta esconder o vício e diz para o meu pai que estava bem distraido:
"não me dá uma moedinha"
e o meu pai que já estava em conversa com o meu irmão mirou-o plo canto do olho e disse:
"Não obrigado" (não me perguntem o porquê do obrigado, porque não sei)
e o senhor não contente:
"Grandessissimo filho da puta, ó caralho"
O que até achamos uma certa graça...pelo sotaque serrado e pela convicção com que ele disse aquilo...
E agora?? a gajo é um cabrão insensivel??? por dizer aquilo que pensa??? O facto do meu pai ser um homem pai de familia, encamizado e trabalhor faz dele um filho da puta ?? e por não querer dar dinheiro a todos os pedintes que lhe aparecem???
infelizmente não vem com uma ficha a dizer qual a causa da sua miséria , ou se tem ou não uma boa razão ou motivo para estar ali...sabemos se é o ultimo recurso destas pessoas???
O problema da miséria...é que ela sempre existiu. Mas agora ganou um estatuto...uma profissão! Eu costumo ajudar quem, na minha visão de compaixão, necessita de ajuda, que não é concerteza um pulha que me chega meia hora depois de ter arrumado o carro a gritar "TÁ BOM"!
nem uma cigana que se a convidarmos pa comer uma sopinha "não quer".
As pessoas realmente miseráveis, nem fazem tanto "show off da sua miséria"...vao distribuir o metro, vao apanhar lixo, vão trabalhar nas obras, vão lavar escadas, vão fazer alguma coisa, vos garanto!
A questão é que a frase do amigo do luis, dotada de sarcasmo egoista ou não, teve um timing e uma espontaneidade dignos de uma gargalhada!

Continuo a querer o teu livro...era preciso seres muito mauzinho pa perder a curiosidade....lol!

El-Gee said...

Mais uma vez, a Mariana parece ser a pessoa que compreende o que eu escrevi.

Astuto, é evidente que chamar filho da puta a alguem é sempre ofensivo e raramente é defensável, mesmo que a mae da pessoa objecto do insulto fosse realmente uma puta.

O que eu acho piada nesta história, é a mensagem que ela passa, e nao a sua interpretação literal.

A piada aqui é que imensa gente se enerva com aqueles gajos que andam com os caezinhos na rua, com corpos bem constituidos e bem alimentados, a pedinchar dinheiro todo o dia. E a maior parte das pessoas que conheço nao gostam de dar dinheiro a essa gente, mesmo que (como eu) geralmente dêem dinheiro a quem realmente parece necessitar e que dificilmente conseguirá sobreviver se nao pedir, como sao os mutilados ou os velhinhos.

Por isso, aqui nao está em causa o insultar unilateralmente alguem, nem sequer uma superioridade do meu amigo: repara, sao ambos pessoas livres e com saude, numa interacção livre de preconceitos. De tal forma, que o outro tipo ouviu e nem respondeu.

O que está em causa é o genuíno desabafo do meu amigo porque, ele sim, estava a ser desrespeitado: um desconhecido vem-lhe pedir dinheiro a ele, que tem todo o direito de andar numa rua cuja limpeza é feita com os seus impostos, ainda para mais um desconhecido que tem a sua idade e se arroga a displicencia de lhe vir pedir dinheiro quando podia estar a trabalhar.

A unica classe de pedintes que me enerva sao aqueles que poderiam estar a trabalhar, mas eu nunca tive a coragem de lhes dizer nada. Geralmente, passo por eles e nao dou nada, mas nao digo nada.

Este meu amigo disse o que sentia. Nao foi com superioridade, foi com o genuino sentimento de quem se sente no direito, rico ou pobre, de andar na rua sem ser assediado por desconhecidos.

Ele nao acha o outro um filho da puta, acha-o um chato e, da mesma forma que o outro o insultou ao pedir-lhe dinheiro quando poderia estar a trabalhar por ele, o meu amigo insultou-o verbalmente.

Com toda a franqueza, acho que o outro é mais arrogante ao pedir do que o meu amigo ao enxotá-lo.

O problema, hj, é que ja ninguem diz o que pensa. Ele disse, e eu tenho pena de nao ter a mesma coragem.

A questao dos pedintes nao tem nada a ver com este post. Nada. A primeira coisa que eu disse no texto foi que dava sempre a quem me parecia que precisasse.

El-Gee said...

p.s: nao peças desculpas pela sinceridade, sinceridade e honestidade sao as unicas virtudes que realmente prezo nas pessoas. abraco

astuto said...

El-gee, quem não quer dar diz, simplesmente, que não dá. É o que eu faço.

Mariana, realmente é chato, até na "província"! Ao menos, os miseráveis que tenham o bom senso de se esconderem. As pessoas de bem já não podem andar na rua.

Uma pessoa que tem tudo para ser feliz entra em depressão, não consegue sair desse estado, vai ao médico e este diz-lhe: "vá trabalhar que tem bom corpo, você não tem nada, apenas falta de vontade. Anda aí a dar canseiras aos outros".

Não me importa se essas pessoas são miseráveis voluntários ou não. Para mim são pessoas que não conseguem sair da situação em que se encontram. Como um depressivo.

Cumprimentos.

Docinho said...

Cretinice, na minha opinião de gajo que diz o que pensa, é invejar um amigo por insultar um "parasita" devido à falta de tomates para o fazer e vir para a net gritá-lo ao mundo.

Também não dou guita a esses gajos. Dou uns trocos a quem acho que realmente precisa e quando calculo que usarão esse dinheiro da melhor maneira. Imagino que já tenha dado guita para um pacote de leite e umas bolachas da mesma maneira que, certamente, já terei dado guita para um chuto. Não tenho nada a ver com isso. Simplesmente, ou dou ou não dou. Se me pedem dinheiro e não quero dar digo que não tenho e sigo o meu caminho. Se cada vez que uma pessoa fosse chata merecesse ser apelidada de filha da puta...

Como o Sam disse, não é ou não deve ser fácil vir pedir dinheiro para a rua. Acredito que o gajo tivesse mais que corpinho para trabalhar e realmente é isso que ele devia fazer. Prefere não o fazer, terá as razões dele... Se tem corpinho para trabalhar também tem corpinho para não precisar de vos pedir o que quer que seja. Chegava ao pé de vocês e, de seringa em punho, limpava-vos em 2 segundos. Preferiu pedir-vos uma moedinha em vez de vos roubar e/ou fazer qualquer tipo de mal. Irra, mas que grande filho de puta...

Esses gajos são carochos que não fazem mal a ninguém. Estão na rua com os seus malabares e os seus cães e de vez em quando pedem uma moedinha. Acho que isso não é suficiente para ser tratado dessa maneira.

Tenho a certeza que se apanhasses esse mesmo carocho no P. Eduardo VII, numa noite cinzenta e de muita chuva após um estafante desafio de bola com os amigos, o enfiarias no teu carro e, ao som de Skye, lhe pedirias que fosse para casa e oferecer-te-ias para lhe pagar a noite.

Muito resumidamente acho que essa atitude, tanto a tua como a do teu amigo, equivale ao "bater no ceguinho".

É um facto que a parte final do meu comentário, referente ao teu livro, é de alguma cretinice mas acredita que a indignação que sentiste quando o gajo te pediu a moeda foi a mesma que eu senti quando li o post. Podias argumentar à vontade e dar-me um milhão de razões, ou apenas uma, para tratar aquele gajo dessa maneira que eu nunca concordaria.

Apenas a minha modesta opinião. Afinal de contas o espaço para os comments existe por alguma razão e agradeço a Deus pela discórdia...

Quanto ao livro, o mais certo é eu nem sequer vê-lo em prateleira alguma mas a única expressão digna de registar nesse momento há-de ser a tua.

Despeço-me com um abraço para não sentires que este comentário, ou o anterior, é algum tipo de ataque.

Mariana said...

Realmente não vale pena...
há sempre alguém que interpreta de maneira diferente o que escrevemos...ou então fazem de propósito para ler só as palavras que querem! Paciência! é o mal das conotações....
Amigo astuto, "as pessoas de bem" (denominação mal conseguida para homem ou mulher trabalhadora), como todos os outros, não se vao martirizar a vida interia por terem conseguido chegar onde chegaram, com o caminho facilitado ou não...em minha casa sempre se deu o devido valor ao dinheiro, mais ainda ao mérito próprio e á luta! há três anos que tiro dois cursos em simultaneo que exploram as minhas forças até ao tutano, mas fazem-me perceber que quando se quer muito uma coisa, temos que tentar de tudo para a conseguir! Somos priveligiados? sim, claro, não nego....casa, roupa, comida, e roupa lavada! Amor, amizade, carro...toda uma panóplia de coisas que não vale a pena detalhar!
Vivemos numa esfera egoista? Não somos todos homens e mulheres caridosos? Não sei...sei que me faz impressão o avontade com que se mendiga hoje em dia. Gente com saude, gente com capacidade, gente que também só te pede porque te julga, na sua ignorancia, um tipo com dinheiro, pelo menos mais do que o que ele tem. Já nem é por compaixão, já não é preciso ter um historial comovente...ser arrumador de carros é ser facilitador do bem estar público...ou então levas um risquinho!
Ninguém pediu pa que a miséria se escodesse, nem eu disse que não ajudava quando posso, ou quando acho que a ocasião o pede! Os verdadeiros miserávies não tem vergonha de ir pedir o cabaz do banco alimentar, não tem vergonha de aceitar o menos digno dos empregos, ou o mais (porque acredito que todos o são)!
Bem...quanto mais escrever, mais
aso vou dar para que me interpretem outra vez mal!
A minha opinião mantem-se...e o timing da frase do amigo do luis, mantem-se genial! Foi só um momento...não generalizem o que não é para generalizar! Ninguém vai achar que agora o Luís vai chamar filho da puta a todo o santo pedinte...
Não leiam um post nesse cepticismo e tentem viver a situação...se não conseguirem, esqueçam...ou entram em depressão!
Baci

El-Gee said...

docinho nao senti ataque nenhum, acho que a troca de opinioes é sempre benvinda.

claro que, sendo nós amigos, achei estranho o comentário face ao livro, mas tambem isso é uma opiniao à qual tens direito.

mas ja que falas em reacções diferentes em locais diferentes, nao costumo notar tanta amargura em ti quando estou contigo. seja como for, nao estamos vezes suficientes juntos para eu julgar o que quer que seja.

quanto ao comentario ao post, acho que ja respondi ali num comment mais acima. o que eu nao disse, a mariana disse por mim.

e o que nao estiver respondido, fica por responder.

se calhar passei uma imagem errada de mim neste post. paciencia. a vida é feita de aparencias e interpretacoes, e desta vez o eu que transpareceu é, mais uma vez, diferente do eu real, que, na verdade, so cada um conhece de si proprio.

inespimentel said...

A abismal desigualdade de oportunidades leva-me a ter dificuldade em avaliar o quanto miserável, ou até o direito a ostentar a miséria que os outros possam ter! É que quando se trabalha com miúdos e se assiste à forma tortuosa com que certas vidas se desenvolvem dificilmente se pode acreditar que o "ir trabalhar" é so uma questão de vontade! Quem não sabe o que é o cumprimento,a responsabilidade, a assiduidade, o mérito, a organização, quem não aprendeu tudo isto e muito mais na idade própria só excepcionalmente conseguirá alguma vez fazer planos e cumpri-los!E assim são vidas que me incomodam, evito dar esmola, só por alguma emoção que não controle, mas não consigo culpar ou sentir-me superior...distante e com alguma revolta contra a sociedade, as famílias, o meio, o caldo podre onde é difícil ser gente!

Teresa said...

Quanto à história do teu amigo, não vou atirar mais opiniões. Também não vi qual a graça, embora não tenha ficado nem por sombras revoltada.
Claro que bem apetece e se deve mandá-los trabalhar, não são menos que ninguém, por mais que se queiram fazer passar por isso. A alarvidade que disse o teu amigo não a diria, não por não ter coragem de dizer o que penso, mas porque sinceramente muito mais tenho q fazer que largar uma bujarda a um mendigo calão(e porque sou rapariga e a cagufa de se meter com um homem desses é outra!). Mas não me passaria pela cabeça resposta tão agressiva.
Mas apoio completamente a mensagem que transmite, apesar da minha posição ser ainda mais extremista. A nenhum dou dinheiro, a menos que esteja a fazer uma coisa que não seja enxovalhante (tocar música por exemplo).
A resposta "filho da puta" aplica-se sem dúvida aos que tem o que precisam para fazerem o que bem querem (Assaltar-te à noite por exemplo). Quanto aos outros não se aplica tal agressividade, mas também não lhes deve ser dado dinheiro.
Tou a pensar sobretudo nos enfermos ou mutilados. Do outro dia estava no Saldanha e vejo um homem a encostar-se a uma parede, arregaçar uma perna das calças e a exibir assim o coto que lhe servia de joelho. Na altura pensei no desespero e miserável auto-estima que uma pessoa deve sentir para chegar ao ponto de se humilhar publicamente voluntariando-se para atracção, coisa que se via na idade média, não hoje!
Essas pessoas tem com certeza que enfrentar muitas mais dificuldades que uma pessoa sã, mas não são bichos, espétaculo ou animais. Quantos casos existem de pessoas que tem graves enfermidades mas que fazem tudo, desde comer com os pés a andar sobre as mãos! E não só em filmes de youtube. Conheci já várias pessoas sem uma perna ou braço. e jogam à bola! Ainda do outro dia contou-me uma amiga minha que num hotel qualquer em Lisboa quem trabalha no balcão é uma mulher sem pernas.
Sem dúvida intimamente posso ficar impressionada(não sou insensível), rezar por essa pessoa, o que seja, mas a essa pessoa é estima que se dá, não pena.
"não sou mais que tu. tive mais sorte, mas não sou mais que tu." (bem diferente do egoista "não és mais que eu").
Essas pessoas já se devem sentir uma merda com certeza, e de facto precisam de ajuda. Mas ajuda há locais especializados em dá-la. Os que vão para a rua é porque olha, grande coisa não são, mas sempre conseguem impressionar as pessoas pela sua deficiência. Posso não saber de todo o que estou a dizer, mas acho que quem tem um mínimo de estima ou ambição na vida não se rebaixa tanto. "Levanta-te que não morreste aqui, ânimo!"
Enfermos tenho pena claro, mas o que precisam é de serem tratados como pessoas normais, não aves raras.
É a nossa pena que faz com que as pessoas também a sintam por elas próprias e que se refugiem na facilidade de serem "atracções". círculo vicioso de infelicidade.
Precisam de ajuda? há quem a dê sem eles terem que se rebaixar a fazer espétaculo na rua.
Não é a compaixão e solidariedade que representam 50 centimos que os vai tirar da rua (e note-se que os quero fora da rua não por mim). Qualquer coisa que façam poderá merecer 10 vezes mais admiração que o mesmo feito por mim. mesmo só a simplicidade de andarem de cabeça erguida.

Não precisam de ajuda, não se dá, são uns otários. Precisam? Ajudo se preciso, mas não na rua. Confirmá-los como deficientes não é ajuda.

Passará isto apenas de palavras? Se sim lamento. A hora tardia tolda-me o discernimento.

/me said...

Alternativa:
Perguntas se não é para a droga. Invariavalmente respondem não, ao que dizes "então não dou".

elsaportugal said...

Como é que tu, depois de pensar e a frio dizes uma coisa dessas?!

revelas uma grande arrogancia nos teus posts, mas neste exageras.

Como deves saber, ou sabendo que te consideras minimamente informado, deverias saber, existe em Portugal um problema chamado desemprego (ainda não atingiu as proporçoes de alguns paises europeus, mas parece ser inevitavel...)

Há pessoas com mais qualificaçoes, mais bem preparadas e com melhores capacidades que tu, que não têm emprego..

Há pessoas com corpos para trabalhar e muita vontade que não têm emprego

Há pessoas que não têm nada disto e têm emprego, têm é um nome, uma familia ou um amigo que os "ajude"...

E depois há os que estao à merce da solidariedade dos outros...

Teresa said...

e ainda há aqueles que não tem emprego mas em vez de fazer por te lo poem se na rua a pedir trocos.
cheira me que é desses que se está a falar.

El-Gee said...

É obviamente desses que se está a falar

elsaportugal said...

Fazer por isso? sabem voces o que é nao ter emprego? Eu tambem não sei e já me vi forçada a pedir dinheiro na rua!!e sim , tenho corpo para não andar a pedir...(não querendo entrar em detalhes)

Ja pedi dinheiro, por estar longe de casa, por ter sido roubada e por não ter como voltar para casa. Faz de mim uma filha da puta?

Pedir não chateia ninguem. Ou vais dizer que o teu tempo é tao valioso que os 3 segundos que perdeste te chateiam assim tanto?

Onde eu queria chegar é que por tu teres tido sorte na vida, não te dá o direito de julgar os outros, de os insultar.

El-Gee said...

Elsa, a unica coisa que faz de alguem um filho da puta é ser, de facto, filho de uma puta. Nesse sentido, tens toda a razao, o receptor da frase "so cheques e cartoes de credito, filhos da puta", nao é um filho da puta. Ou por outra, talvez seja, mas nada o prova directamente.

Da mesma forma, é pouco defensável para alguem chamar nomes a outrem no meio da rua. Sem duvida nenhuma que é uma atitude arrogante. Nada disso está aqui em causa. Nao precisas de o repetir porque isso é obvio, até para quem escreveu o post (eu).

O que eu pretendia mostrar aqui é que, conceptualmente, apoio uma cultura de esforço e de mérito, de raciocinio de longo-prazo, de responsabilização do cidadao pelos seus actos.

Por principio, sou uma pessoa solidária, mas oponho-me ao parasitismo.

Para mim, uma pessoa da minha idade com boa cara que me vem pedir trocos quando, dez metros acima, um café diz "precisa-se empregada/o" é um parasita e nao é um desempregado ou um pobre diabo que nao teve as mesmas oportunidades que eu (aliás, aqui perguntaria o que sabes tu da minha vida para fazeres as insinuacoes que fazes..?).

Por certo que eu, cidadao anonimo, nao tenho nada que me insurgir contra o outro cidadao anonimo que parasita as ruas da minha cidade.

Porem, a partir do momento em que ele me aborda - isto é, penetra na minha liberdade - eu entendo que tenho o direito de ripostar.

Com mais ou menos arrogancia.

Quer tu gostes ou nao gostes.

elsaportugal said...

Se há pessoa que premeia o esforço e valoriza a dedicação, sou eu. Contudo, certas circunstancias mão são preto no branco.

Sabes se entrou no café, para ver se lhe davam emprego? sabes se nãio foi uma situação pontual para resolver um problema momentaneo?

Em Portugal há desemprego, isto implica que nem toda a gente que quer emprego o tenha...

Quanto ao que sei sobre ti, sei que não te conheço e que não sei quem és; sei o que escreves na internet e como falas de ti. Assumindo que não é uma indentidade falsa, dá para ter uma ideia...

elsaportugal said...

Esqueci-me que de responder que o facto de ele "penetrar na tua liberdade"(lol gostei da expressao...) é possivel que o tenha feito se isso significar alguma coisa, no entanto o teu amigo violou a dele...Não teve uma resposta proporcional, nem da qual se deva gabar...

El-Gee said...

Mas a questao, elsa, é que ele está ali todos os dias (ele, ela e outro, sao tres). Nao é uma situação pontual, é um modo de vida. São okupas. (Presumo que saibas o que é, mas se nao sabes facilmente encontras algures pela net.)

É esse o significado da expressao "parasitismo desokupado" que poderás ler no post.

Claro que nao me cabe a mim julgá-los, mas posso repudiá-los. Oponho-me totalmente à sua idealogia.

Isso deverá, racionalmente, reflectir-se num "filho da puta"? Claro que nao. Chamar isso a alguem é educado? Claro que nao! É mais feio chamar "Filho da puta" a alguem do que ir pedir dinheiro a alguem? É!

Mas na altura (e agora), somando todo um conjunto de pensamentos e reacções que os okupas já me provocaram, de Lisboa a Roma passando por Berlim e Barcelona, aquilo teve (tem) muita piada e, quanto mais nao seja, até foi um desabafo muito sentido.

Razao pela qual eu desejei ter sido eu a dize-lo.

Isto nao implica que eu nao possa, amanha, ser amigo daquele okupa. Aqui o que está em causa é um confronto de idealogias.

(Mas obviamente que o post nao explica isso e que nao poderias ter compreendido à partida)

(E obviamente que continuarás a discordar de mim, mas a vida é mesmo assim)

elsaportugal said...

Depois desta explicação, é diferente. Sabias que ele estav ali todos os dias e que fazia disso um modo de vida...Deixa de ser um pretenciosa insinuaçao a uma constatação de factos testemunhados, é diferente.

Alcides said...

que tristeza de post...