Tuesday, March 06, 2007

Viver para contá-la



Gabriel Garcia Marquez


Faz 80 anos o maior autor vivo e, para mim, o maior também entre os que já não vivem. A influência da sua escrita toca a minha personalidade até à insanidade. Não há nada igual. Nada, nada, nada. Uma frase deste homem, humano como nós, é um acontecimento único. Ainda bem que a Vida premeia certas pessoas com anos e anos de longevidade. Não sei quanto, mas uma parte de mim vê o Mundo, sente-o e expressa-o de determinada maneira por causa deste homem. De como olha, sente, pensa e escreve. E isto sem pensar nele. Está cá dentro. No meu Mundo, é a personalidade do século XX. Dou-lhe os parabéns. Pena que não saiba português - mas é melhor assim, teria vergonha que me lesse.

13 comments:

gato escaldado said...

Qual é o teu livro preferido dele? Já li A Incrível e Triste História da Cândida Eréndira e da sua Avó Desalmada e já tentei ler O Outono do Patriarca e outro que agora não me recordo, mas sinceramente, pedindo-te já desculpa de antemão, não gostei. Daí gostar de saber qual é o teu favorito, para ver se mudo de opinião.

Cuca said...

Ia a caminho da faculdade quando disseram na telefonia q hj Gabriel garcia Marquez fazia 80 anos. Primeira coisa q me veio à cabeça: GABO! Segunda coisa: Luis (pai de gabo)

El-Gee said...

gato,

como já partes de "pé atrás", sugiro que leias "O Amor nos Tempos de Cólera".

Se gostares, estás lançada e depois podes vir cá perguntar mais, mas os conselhos mais óbvios seriam "Cem Anos de Solidão" e, mais pequenino, "Crónica de uma Morte anunciada".

Fora estes, dois livros pequenos muito representativos do seu estilo sao "O General no seu Labirinto" e "A Revoada".

Podes também aventurar-te pelos contos.

Eu compreendo que não se aprecie o estilo, mas acho que vais pelo menos aperceber-te da magia!

bj

Amarcord said...

Gato escaldado,

a minha consciência n fica tranquila se n te impingir o Amor em Tempos de Cólera.

"(...) Perdió el habla y el apetito, pasaba las noches en blanco dando vueltas en la cama. La ansiedad se le complicó con cagantinas y vómitos verdes, perdió el sentido de la orientación y sufría desmayos repentinos. Tenía el pulso ténue, la respiración arenosa y los sudores pálidos de los moribundos. Pero al médico le bastó un interrogatorio insidioso para comprobar, una vez más, que los síntomas del amor son los mismos del cólera."

Tenho-o sublinhado de ponta a ponta.

m said...

Eu nunca o li porque achava que - parvoíce minha ou não - seria "comercial" demais.
Há um ano atrás li umas partes d' "A Revoada" e acho que mudei um pouco a opinião inicial que tinha sobre o autor.
Ainda não comprei nenhum livro dele até agora, também por me estar a dedicar a outro tipo de leituras menos romancescas ou fictícias, mas em breve comprarei para tirar a "prova dos nove", ou aliás, acho q em casa tenho um ou dois, é só procurar...

El-Gee said...

É refrescante, conhecendo-te, imaginar como vais adorar cada linha e saber que tens esse prazer todo pela frente Marta *

Maria Strüder said...

Estou a engonhar mas quero muito ler as Memórias de minhas putas tristes

El-Gee said...

Para mim é, de longe, o pior livro dele. E mesmo assim é bom.

canetas said...

Eu não tenho paciência para o estilo de escrita.

Gostei de ler o Cem Anos de Solidão e o Amor em Tempos de Cólera, mas o estilo aborrece-me.

É encantador até certo ponto mas depois esgota-se, torna-se aborrecido. Não aborrecido no sentido da história, mas nos tipos de escrita, especialmente nas metáforas carregadas de misticismo, muito sul-americano.

Prefiro um estilo mais realista.

Mas compreendo e, mesmo sabendo que não concordas e que não aceitas o elogio, acho que também escreves muito bem dentro do género. A isso atestam as crónicas da viagem.

El-Gee said...

canetas espero que saibas que essa graxa que dás na última frase não compensa as blasfémias no resto do comment!!

astuto said...

Li apenas "Memórias Das Minhas Putas Tristes" e achei-o fraquinho. Se calhar tenho que ler outro livro dele... Contudo, achei a escrita cheia de lugares comuns, com uma grande ingenuidade de sul-americano...

Cumprimentos.

makoka said...

Nao consigo separar inteiramente o autor, das suas ideologias politicas e amizades. Acho que passa sempre um bocado do que as pessoas sao para aquilo que escrevem! Muitos dos escritores de quem penso isto, acho que nao sao grande perda, nem acho que sejam aliciantes ao ponto de eu os ir ler de qualquer forma...no entanto confesso que quanto ao Gabriel Garcia Marquez tenho uma prespectiva diferente! Acho que e uma perda demasiado grande nao ler nada dele! Ja da ultima vez que fui a portugal quis comprar um livro dele...desta vez nao escapa!

El-Gee said...

Eu quando leio, qualquer livro, sei que estou a ler o fruto da Busca de um autor por algo. Acho que os grandes livros são aqueles que nascem de uma grande inquietude.

Nesse sentido sim, é errado separar as grandes obras das grandes linhas de pensamento dos autores.

Quanto ao caso específico de GGM, sinto que a grande e enorme temática transversal à sua obra é a trágica, inevitável e melancólica caracterísica comum dos povos latino-americanos.

Ele vê em Fidel (penso que é a essa amizade que te referes, makoka), entre outras características, um latino e um defensor do latinismo.

E vê também - e também isto está bem patente na maioria dos livros de GGM - que os países latino-americanos têm necessidade de governos duros.

Junta os dois temas e tens a admiração por Fidel. Daí à amizade, é um processo temporal...

E, pondo tudo isto de lado: não deixes de ler O Amor nos Tempos de Cólera...

..ou a Crónica de uma Morte anunciada num avião entre Londres e Lisboa...