Saturday, February 17, 2007

Sweet child of mine

Quando Vasco acorda de uma noite bem dormida, um raio de luz desbrava arrogante a frincha da janela. “Que estranho, tanto sol em Fevereiro.” Revira-se na cama, o iPod esquecido ao seu lado tocando ainda o embalar das onze da noite. Estica os braços até ao tecto num espreguiçar alegre e sorri para o ar. Nove da manhã de sábado. Dois dias inteiros pela frente, sem ressacas nem cigarros assassinos, sem compromissos nem telefonemas. Olha para o telemóvel em cima da mesa de cabeceira. Uma mensagem dela. Perfeito. Salta da cama em calças de pijama e pula alegre até à janela. De par em par, um rio de vida abraça-lhe os olhos fechados. Um arrepio percorre-o, quando o vento gelado penetra pelo espaço da janela que escancara. Sweet Child of Mine.



Quem estará a ouvir isto aos berros de janela aberta ao fundo da rua? Vasco fecha os olhos sem acreditar naquela corrente de guitarras e vento que lhe acciona a mente. O vento levanta-lhe a franja em espirais desinteressadas, e Vasco pensa no que não fez nessa sexta e na vida inteira de sábado. As guitarras soltam-se da janela do vizinho e Vasco tem vontade de saltar da janela e agarrar-se aos acordes de energia viva que o vento lhe traz. She’s got a smile that it seems to me.Vasco rodopia da janela até à mesa de cabeceira. Desbloquear teclado.

- Tou, Maria?
- Vasco, olá!

Estremece com a voz alegre dela. Também acordou cedo! She’s got eyes of the bluest skies. Vasco olha pela janela aberta. O céu azul refresca-lhe os arrepios.

- Gostei imenso da tua mensagem.
- Gostaste?
- E gosto imenso de ti.
- Gostas?
- Mesmo muito!
- E ligas-me só para dizer isso?
- Como hei-de ligar todos os dias, enquanto me deixares.
- És único sabias?
- Não, tu é que és. Única, mágica, encantadora em toda a tua simplicidade. És uma janela aberta num sábado de manhã.
- Deixas-me sem palavras..
- Então não digas mais nada. Eu também fico mudo quando penso em ti.
- Então.. beijinhos Vasquinho!
- Beijinhos
- Olha..
- Diz
- Que fazes hoje..?
- Não sei. Mas vou a qualquer lado contigo
- Gostava imenso..
- Então, nada nos prende. Até logo..
- Até logo..

Pousa o telefone e deixa-se cair na cama com um sorriso sem horas nem minutos.

Where do we go now?

Where do we go, Sweet Child of Mine?

9 comments:

m said...

paixonite aguda !

Sofia said...

crazy little thing called Love!

Carolina* said...

Claramente! O Cupido tornou-se o teu melhor amigo!

Galdéria said...

obrigada pelos teus comentarios, eu visito muito mas comento pouco (sou mais blog-mirone...)

Joana said...

O amor é sem dúvida a melhor coisa do mundo!!

Qie entre pela janela a energia das guitarradas, o sol de sábado e o carinho de todos os dias!

bjinhos

makoka said...

Adoro a musica...especialmente porque o amor é todo sobre nos sentirmos pequeninos, e seguros, e inocentes outra vez!

gosto da tua mania dos dialogos! =)

fil said...

Hoje não resisti comentar! Tenho o teu blog guardado nos meus favoritos e quase todos os dias vejo se escreveste mais alguma coisa. Adoro tudo aquilo que escreves, e a maneira como o descreves. E hoje ao ler "sweet child o' mine", não resisti! É das musicas que me dá mais força, e quando pus a musica a tocar e continuei a ler o que escreveste fiquei toda arrepiada! Não pares de escrever nunca!!! Adoro!!! beijos

Maria Strüder said...

Gosto dos ex Guns N' Roses e essa é uma boa música sem dúvida.
Para mim os Guns morreram, aliás uma banda onde os membros importante vão saindo deixa de ser "a banda".
(depois passa pelo meu blog tenho uma pequena dúvida em relação ao teu comentário)
Bom dia ****

Rita said...

por onde tens andado????????????